sábado, 2 de abril de 2016

Confidência

           

            Eu adoro o seu jeito manso de me olhar nos olhos e de dizer que sou linda – mesmo quando eu estou sem maquiagem e no meu pior dia. Sou apaixonada por esse gesto simples desde a primeira vez que você falou, assim que teve uma oportunidade. Me cativas de uma forma que ninguém nunca o fez. Me fazes querer ser melhor, dar o melhor de mim.
Adoro entrelaçar meus dedos por entre os seus cabelos, enquanto você dirige ou simplesmente está deitado no meu colo. Sinto uma paz imensurável, uma felicidade palpável, bem ali do meu lado. Como é bom te ter, menino; te ler, te cuidar, te amar. Trouxeste leveza para a minha vida; tens passe livre para ficar.
Roubaste minhas inseguranças, curaste as minhas feridas, me fizeste amar sem receios. Não tive medo de me entregar a ti desde o primeiro beijo e faria tudo novamente só para te ver feliz ao meu lado. Ah, como faria...
Adoro suas piadas sem graça, seu jeito envergonhado, suas camisas velhas (que são minhas). Adoro os seus beijos apaixonados, seus abraços apertados e as nossas pernas entrelaçadas. Adoro filme, barzinho, música, violão, vinho, choppão, desde que seja com você.  Adoro dividir minha vida contigo e quero isso sempre, se assim tiver que ser.
Venho hoje te fazer uma confissão. Confesso que sou louca por ti e que já não vejo mais minha vida sem a tua presença. E se eu sou culpada por isso, que eu possa ter prisão perpétua no teu coração e pagar te amando todos os dias da minha vida. Sempre um pouquinho mais. 

domingo, 6 de março de 2016

O que ele não sabe

É que ela acorda todos os dias com os pensamentos nele, agradecendo à Deus por estar em sua vida, e que ao dormir também, a última imagem que vem em sua mente é a do lindo sorriso dele. Ele talvez não imagine ou consiga dimensionar o quanto ela é feliz só de saber que o tem; para cuidar, amar, se apaixonar todos os dias.
            Ele não sabe que cada pequeno gesto que faz, seja uma mensagem de bom dia, uma foto de algo bobo, dizendo que lembrou dela, um abraço apertado faz com que ela tenha certeza de que “ele é o cara.”; o cara que ela já consegue sonhar em passar o resto da vida, que ela enxerga esperando-a, ansioso, nervoso, do outro lado do altar, que ela sonha em poder compartilhar os melhores e piores momentos da sua vida.
            Ele não sabe que desde o primeiro beijo a cativou, e que desde então ela não parou mais de pensar nele. Ele não imagina que tão logo ela estaria completamente apaixonada, mas tinha medo de se machucar. Ele não faz ideia do quanto ela queria dizer que o amava, mas tinha receios. E não sabe também o quanto foi aliviador poder dizer que o fazia.
        Ele não sabe que existe todo um ritual de preparação para ela estar linda para encontra-lo – leia-se experimentar algumas roupas, sapatos; dispender algum “tempinho” pensando nas melhores escolhas. Ele também não sabe que ela passa o dia ansiosa por vê-lo, pensando em todas as coisas que podem fazer juntos.
            Ele não sabe que ela adora quando ele a olha bem fundo nos olhos, com uma cara de bobo, acariciando o seu rosto e afasta uma mecha do cabelo dela e a coloca atrás da orelha. Ele não sabe que o seu abraço é o melhor lugar do mundo, onde ela esquece todos os problemas e se concentra apenas nas batidas do coração e na respiração dele no seu pescoço. Ele não imagina como alguém pode ser feliz com tão pouco. E ela o é.
            Por fim, ele não imagina o quanto está sendo difícil para ela escrever tudo isso, sendo sufocada por tamanha saudade. Mas ele também não sabe que ela tem certeza que eles vão dar certo; que irão superar cada dificuldade juntos, e que estarão daqui há alguns anos relendo esse texto, tomando um bom vinho e se amando em um cantinho só deles.


           

            

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

A versão dela

Era só mais um dia; ou menos um dia, tendo em vista a contagem regressiva para tantos acontecimentos importantes que estavam por vir no fim do ano. Ela acordou com os pensamentos apressados, já calculando o longo dia que ia ter. E que dia longo! Mas para ela, era só mais um dia comum, da sua rotina comum, cheio de coisas comuns. Engraçado, é que ela não se importava nem um pouco com isso.
Os últimos meses (e por que não, o último ano?) não haviam sido tão fáceis pra ela. Mas agora ela estava em paz. Sozinha e em paz. E feliz. Não achava que poderia ser feliz sozinha, mas, por incrível que pareça, ela estava. E acreditou nisso. Não queria se machucar de novo. Tornou-se, de certa forma, intocável. Até aquele dia.
Eles eram amigos. Ela o achava um “cara sensacional”! Mas eram apenas amigos. Passaram um ano inteiro sentados ao lado um do outro, dividindo angústias, conversas e até lanches (os saudáveis doritos e batata sensação, haha) nas aulas que assistiam uma vez por semana. Uma vez por semana, durante um ano inteiro! E nunca foram mais que amigos. Até aquele dia.
Depois de alguns copos de cerveja e música boa (há controvérsias, haha), o riso tornou-se fácil e constante, e os dois conversaram com tanta facilidade e entrosamento, até que ele a beijou. Bem desse jeito mesmo. Ela foi pega de surpresa. Oooooooopa, o que tá acontecendo?!, ela pensou por uns 3 segundos, antes de se entregar àquele beijo com tamanha intensidade. Não sabia muito bem o que estava acontecendo no momento, mas algo mexeu com ela, de tal forma que ela parou de questionar e apenas retribuiu o beijo com a mesma intensidade que o recebera.
Acordou no dia seguinte com uma leveza inexplicável (misturada com um pouco de enjoo, haha) e um misto de “o que quer que tenha acontecido ontem, eu quero que aconteça de novo”. Precipitado ou não, ele a chamou para sair, e era tudo que ela mais queria: estar com ele novamente.
E o resto da história vocês já sabem, ou no mínimo imaginam. A menina que caminhava sozinha e um tanto desiludida encontrou seu par; aquele que a fez acreditar novamente no amor e que a fez agradecer a Deus por nenhum dos seus relacionamentos anteriores terem dado certo. Tudo aconteceu para que ela estivesse pronta para encontrá-lo.

E onde ela está agora?! Em algum cantinho especial, o amando nesse exato momento...  

terça-feira, 30 de julho de 2013

Nudez

                Sinto-me só. Sinto-me sozinha, embora rodeada por milhares de pessoas. É como se nenhuma delas fosse capaz de me entender, me ver, me ler... Coloco um sorriso amigável no rosto e sou só mais uma pessoa comum no meio de tantas; sem chamar atenção, sem ser notada, sem ser percebida.
          Ás vezes penso que esse mundo não é pra mim. Penso, repenso e concluo que definitivamente esse mundo não é para mim! - se é que existem pessoas certas ou erradas, ou outros mundos nos quais poderia me encontrar. Talvez eu esteja no tempo errado, portanto me sinto antiquada. Taí, deve ser isso...
         Minha cabeça anda um turbilhão de pensamentos, lembranças, saudades, lágrimas, mágoas. Não tenho lidado muito bem com isso. Ando cheia de perguntas, dilemas e nada de respostas. Não lido bem com decisões, bifurcações, duplo sentido. E guardar isso, ou melhor, acumular na minha cabeça tem tornado tudo mais difícil.
                Ser transparente, entretanto, abrir o jogo, desabafar não estava nos meus planos. Dói se expor, mostrar sua nudez de alma para um expectador que pode caçoar, rir, te chamar de louco ou o pior de todos: mostrar-se indiferente. Tenho sérios problemas com segurança e confiança. Aprendi, talvez de uma forma difícil, a confiar desconfiando, a ter sempre um pezinho atrás; pessoas são seres cruéis que podem te decepcionar a qualquer momento, e quanto menor a queda, mais fácil se levantar.
                Como dói viver em um mundo que não é o seu. Olhar ao redor e não reconhecer nada daquilo, buscando sempre algo que lhe seja familiar. Talvez, por isso, meus pensamentos, princípios, ações, sejam na maioria das vezes divergentes dos demais. E vou ocupando minha mente com tudo o que posso, para tentar esquecer um pouco essa minha essência e me adaptar a este mundo.
              E por fim, chegamos onde estou: mente cheia de tanto que a ocupei, que não tive tempo de lidar com minha própria bagunça. Pensamentos se chocam, dúvidas surgem, dilemas reaparecem, lágrimas caem. Escrever foi a melhor forma que encontrei de lidar com a situação, depositando toda a minha insegurança na ponta dos dedos e tendo a esperança de que alguém me leia e saiba exatamente do que estou falando...

sexta-feira, 14 de junho de 2013


Quero estar contigo em cada segundo, de domingo a domingo até enjoares de mim
Quero ganhar o mundo ao teu lado, percorrer caminhos nunca trilhados
Deixar o destino escandalizado com as peças que nele pregaremos
Quero sonhar todos os meus sonhos, compartilhar meus planos com você
Morar num imenso palácio ou em uma casinha de sapê
Quero conhecer tua história, saber todas as tuas glórias
Comemorar novas vitórias, pular e sair do chão
Quero mergulhar no teu corpo, me perder no teu sorriso
Brindar o riso que enche os meus lábios de felicidade
Quero te olhar nos olhos e esquecer tudo ao meu redor
Dormir no calor dos teus braços e acordar em um perfeito laço que a vida nos deixou
Quero paz, quero vida, quero conhecer todas as linhas de tua mão
Deixa-me te amar, meu bem, e não aceito se você disser “não!”
 E se tivermos um ao outro e todo o nosso amor
Não existirão espinhos, tempestades ou ventanias capazes de nos atingir

E se um dia um de nós cair, vamos rir, levantar e de mãos dadas seguir. 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013



Eu perdi minha princesa. E ao contrário do que possa estar pensando, ela não morreu. Na verdade, ela está bem, está por aí, feliz, sorridente e mais linda do que sempre foi. 
Eu tinha a melhor pessoa do mundo ao meu lado. Eu nunca havia conhecido alguém como ela, carinhosa, cuidadosa, atenciosa, amiga, entre outras inúmeras qualidades que ela tinha. Ela possuía vários defeitos também, era ciumenta, dramática, carente, mas nada comparado ao tamanho de suas qualidades. Era perfeita, perfeita pra mim... E eu não notei isso.
Lembro-me o quanto ela se preocupava comigo, sempre que eu demorava a chegar em casa após o trabalho, ela me ligava, e do outro lado do telefone sua voz preocupada "Oi amor, você já chegou?". 
Quando fiquei doente, ela passou o dia e a noite ao meu lado, me levou ao médico, comprou meus remédios, me levou o que comer na cama, e tudo isso sem reclamar. Ela gostava disso, de cuidar, de ajudar, era protetora.
Quando precisei que ela estivesse comigo, mesmo sem precisar pedir, mesmo sem carro, ela esteve, a pé, pegou chuva ao meu lado e também não reclamou de estragar o cabelo. 
Ela jogava video-game comigo, me assistia jogar horas e horas de FIFA, via futebol comigo mesmo não torcendo pro mesmo time que eu, ia pra lugares que não estava acostumada a ir, só porque eu queria ir. E quando eu não tinha dinheiro, ficávamos em casa assistindo filmes, e no final de tudo ela sorria e dizia que o importante era estar comigo, não importa onde e nem o que estivéssemos fazendo. Ela dizia que o melhor lugar do mundo, era ao meu lado. 
Tudo que eu precisasse ela fazia, se eu tinha algum problema, ela pensava em uma solução, ela procurava me ajudar da maneira que ela pudesse. Ela orava por mim. Dizia que toda noite pedia a Deus para que cuidasse de mim. Eu não sei se ela sabia, mas Deus já havia colocado na minha vida um anjo, e ninguém nunca cuidou de mim melhor do que ela. 
Ela era tão preocupada comigo, e eu nunca me preocupei em responder as mensagens dela, às vezes lia, e demorava horas pra responder. Às vezes passava um dia inteiro sem falar com ela, passava uma semana inteira sem vê-la. Eu não me preocupava com isso, achava que ela estaria sempre ali pra mim.
A minha falta de valorização acabou nos causando várias brigas, eu perdi minha paciência com ela, comecei a não querer mais vê-la, queria diversão, queria estar mais tempo com meus amigos, jogar futebol, vídeo game, sair, eu precisava de mais tempo pra mim... E na última briga, disse tudo isso a ela, fui sincero e nós terminamos. 
Se passou 1 mês, meus amigos só queriam saber de farra e bebida. O vídeo game e o futebol haviam perdido a graça. Eu deitava na minha cama e sentia falta dela deitada no meu ombro me fazendo carinho. Eu adorava fazer cócegas nela porque adorava sua risada e a maneira como ela me pedia para parar. Sinto falta até de quando ela ficava irritada com algo, ela sempre fechava a cara, ficava emburrada e fazia bico, achava aquilo lindo, adorava fazer ciúmes nela por isso.
Eu a procurei para pedir desculpas, dizer que estava errado, mas era tarde demais, ela não me olhava mais da mesma maneira, não sorriu ao me ver como sempre fazia. Ela me disse que esperou por mim, por uma mensagem dizendo que ainda me amava, que tinha se arrependido, que olhava sempre o celular e muitas vezes dormiu chorando. Disse que ainda sentia algo por mim, mas que já não era tão forte quanto antes. Nesse momento, os olhos dela se encheram de lágrimas; eu sabia que ela estava mentindo. Mas ela virou as costas e me mandou ir embora. Eu então percebi, ela ainda me amava, mas havia desistido de mim, do nosso amor. 
Eu tinha na minha vida, uma mulher, alguém pra casar, ter filhos, pra eu cuidar e ela cuidar de mim pro resto da vida. Eu tenho certeza que ela será uma ótima esposa e uma mãe melhor ainda, mas a perdi, porque não eu não soube como valorizar as pequenas coisas que ela fazia e o que ela era pra mim, pequenas coisas, que hoje eu percebo que na verdade, tinham um valor maior do que eu pude ver com meus olhos. Eu não soube agir com o coração, e troquei tudo que eu queria na vida, por algo que eu quis no momento. 

- Autor Desconhecido.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Fora do alcance


Você está sempre destinado a fracassar
Não há nada que você possa fazer
O peso da gravidade começa
A puxá-lo para baixo novamente
Então, o que você irá fazer agora?
Preso entre a esperança e a dúvida
Você chega tão perto da clareza
Faz você questionar tudo

Você está tão longe
Tão longe de mim
Está começando a quebrar
Debaixo dos meus pés
Você está tão longe
Eu que estou fora do alcance?

Estamos sempre falando em círculos
Olhando para fora com olhos vazios
Querendo ser conhecido novamente
Mas com tanto medo de deixar
Então, eu deixo tudo para a história?
Será que você vai me responder?
Você ainda reconhece a minha voz
Ou é perdida entre o ruído

Você está tão longe
Tão longe de mim
Está começando a quebrar
Debaixo dos meus pés
Você está tão longe
Eu estou apenas fora do alcance?

Enquanto o mundo se desfaz
Estamos retrocedendo às sombras
E todos ao nosso redor
Estão fazendo o caos
Ah, eu não posso encontrá-lo
Eu estou andando como se eu fosse cego
Estou dizendo alguma coisa?

Você está tão longe
Tão longe de mim
Está começando a quebrar
Debaixo dos meus pés
É gravado na pedra
Alguém poderia me dizer por favor?
Estou sozinho?
Eu estou fora do alcance?

- Matthew  Perryman Jones - 
Out of Reach

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Pedaço de céu


Novos ares... Às vezes é disso que a gente precisa para colocar a cabeça no lugar, para repensar os planos e sonhos antigos, para desenhar novos, para esquecer a monotonia da rotina, para se reinventar.
Tinha esquecido como caminhar pela praia, com aquela “areinha” macia sob meus pés, sentindo a brisa leve sobre meu rosto e o sol aquecendo levemente minha pele podiam me trazer tanta paz; um verdadeiro estado de êxtase, em que meus pensamentos desapareciam como se tivessem medo de serem levados pelas ondas que quebravam à beira daquele paraíso, e minha mente transformava-se em um grande vazio, este necessário para a plena contemplação daquela cena.
Uma imensidão sem tamanho à minha frente. Infinitas tonalidades de azul dançavam, brincavam e me convidavam a fazer parte daquele cenário. Era a mistura perfeita de céu e mar. Não resisti e me entreguei aos encantos daquela sinfonia, que me domava e dominava feito um homem sedutor.
Primeiro os pés, depois as pernas e quando me dei conta, minha cintura já estava tomada. Era impossível voltar. Estava hipnotizada e queria ir cada vez mais a fundo, me juntar àquele pedaço de céu sem sair do mar e me tornar peça fundamental daquele quebra-cabeça de cores e movimentos.
Deitei-me de olhos fechados sobre o mar e flutuei. Quando os abri, tive a melhor sensação do mundo: uma mistura de paz, prazer, alegria e tantas outras indescritíveis; eu estava tocando o céu, deitada sobre aquela “pele” macia do mar.
Involuntariamente soltei um grito. Ele olhou-me, cheio de malícia, completamente satisfeito com minha reação. Minhas bochechas coraram. Lentamente, aproximou a cabeça de meu pescoço, beijou-o deliciosamente e sussurrou no meu ouvido, com um risinho incontido: Te fiz ir à Lua?! Um pouco tímida e envergonhada, afirmei com a cabeça, porque explicar o que tinha sentido podia assustá-lo e isso era o que eu menos queria depois da nossa primeira noite. Mas, naquele dia eu tinha ido à praia, flutuado sobre o mar e tocado o céu. E agora, só me resta a espera ansiosa dos meus próximos destinos...

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Refém


Queria poder entender o funcionamento da mente humana. Queria poder “desligar” inúmeras partes dela com um simples toque em um botão. “Off”. E tudo iria embora. Sumiria como se nunca tivesse existido.
Queria poder controlar o que entra e o que sai do meu consciente. Tantas coisas deviam ser guardadas e esquecidas no interior das sombrias asas do inconsciente; no entanto, outras deviam vir à tona e preencher permanentemente minha “tabula rasa”.
Tantos pensamentos, lembranças, sonhos, planos percorrem minha mente de maneira ensurdecedora, sem controle algum, como se pudessem dominar todo o meu ser com suas vontades próprias.
Já não sei mais o que é mente e o que é corpo; o que é fantasia e o que é realidade. Meu corpo vaga por onde minha mente quer e esta, por sua vez, é uma completa refém da loucura que nela está instaurada.
Queria poder desligar alguns botões. Queria racionalizar menos as coisas, me importar menos, me entregar menos, sofrer menos. Queria sonhar mais, organizar meus planos de modo a realizá-los, queria rir mais – da vida, de mim, de minha insignificância neste mundo -, queria encontrar paz – não aquela momentânea e passageira, e sim aquela que permanece, que dá sentido à vida -, queria ser mais feliz – comigo mesma, com aqueles ao meu redor e que se importam comigo.
Queria tantas coisas. E agora sou só eu, tentando fugir do que a minha mente me faz acreditar ser. Tento acreditar que estou presa, que minha mente é um verdadeiro campo de guerra, porque assumir que minhas ações e emoções são sãs é inadmissível; é assumir que gosto da dor e do sofrimento e que é isso que me torna humana.
E continuarei boba, torta, cheia de defeitos... Refém da minha própria mente.

Silêncio


Por que fazes isso comigo? O teu silêncio me deixa louca; a tua indiferença me queima por dentro, me corrói, me dói... É tão difícil assim me dizer o que está se passando na tua cabeça? Porque pra mim tá ficando impossível ter que adivinhar...
Já cansei desse joguinho de fingir que tá tudo bem. Já cansei de conversas jogadas fora, de falar de tudo e nada ao mesmo tempo, de me deixares ansiosa ouvindo tua voz insuportavelmente doce falando de filmes, músicas, estudo, trabalho, correria, e nunca de mim; de nós... Cansei, sabe?
Tentei te entender, te ler de todo o jeito, mas não me permites. Tens um “ar” indecifrável, encantador, instigador que antes me inspirava, me nauseava, me entorpecia, mas agora, já não.
Sinto falta de quando ríamos até chorar, de quando nossos olhos se encontravam e sorriam e se perdiam em segundos, minutos, horas; nada mais importava, só aquele momento ínfimo, insignificante na imensidão que é o universo; mas, para nós era o infinito, quando dois corpos, os nossos corpos, se materializavam em um só, em um tempo e espaço que não podiam ser calculados, nem medidos. Sinto falta disso, sabe...
Sinto falta das pequenas coisas, dos pequenos gestos, de como me olhavas, de como fazias um comentário bobo sobre eu estar bonita (mesmo eu estando no meu pior dia!). Por que as coisas já não são assim? Por que tudo parece estar diferente? É até um pouco difícil te reconhecer; tão diferente, tão “na tua”, cheio de segredos e mistérios - e não aqueles do tipo que me deixam louca e instigada a descobri-los, e sim aqueles do tipo sombrios, que têm me afastado de ti.
E quando me falavas dos teus sonhos e medos, das tuas conquistas, dos teus segredos mais profundos?! O que aconteceu? Por que eu sinto que tudo isso se perdeu, se esvaiu para um lugar escuro e foi embora para sempre?
Ah, não sabes como eu queria que desse certo! Não sabes o quanto mexes comigo, o quanto te ver conversando com outra me tira do sério, o quanto estar contigo é uma das melhores coisas dos meus dias, o quanto teu beijo me faz perder a noção, me deixa tonta, o quanto teu cheiro me hipnotiza e o teu abraço faz-me sentir segura. Por que tenho que sentir que isso já não existe?
Vai ver eu é que sou uma boba, eterna apaixonada, que precisa crescer e entender que o mundo se trata só de materialismo, sucesso, trabalho, conveniências e que não existe esse negócio de amor...
Sinceramente, se assim for, esse mundo não é pra mim. Eu amo, e amo muito, e me entrego, me jogo de cabeça e me perco, e caio e me esqueço desse jogo que sou forçada a jogar.
Ou, vai ver, sendo um pouco mais otimista, que o amor existe e eu apenas não sou aquela que vai te fazer sentir borboletas no estômago, que vai te fazer acordar todos os dias com os pensamentos nela, que vai te fazer o homem mais feliz do mundo, que vai te fazer querer estar o tempo todo com ela, que vai te fazer encontrar sempre um tempo na sua agenda superlotada só pra vê-la, nem que por 5 minutos, como você me faz fazer todas essas coisas.
Eu só queria agora que você me dissesse o que se passa na sua cabeça, porque eu já cansei de tentar decifrar. Essa inércia toda tem me matado aos pouquinhos, a cada dia que passa. Se eu estiver enganada, se você se sentir do mesmo jeito que eu, me fale, por favor; se não, se toda essa minha teoria maluca estiver certa, também me diga; acabe logo com isso. É só o que eu estou pedindo: acabe logo com esse silêncio...

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Eu quero paz

      Eu só quero viver. Viver em paz. É pedir muito? Eu quero poder acordar com um grande vazio na mente, sem montes de informações se chocando contra a minha cabeça; quero flertar com o vizinho no elevador sem me achar uma completa idiota; quero conhecer novas pessoas, novos lugares, novos ares!; quero ser o 'amorzinho' de alguém; quero ser livre, livre de ti; quero ser feliz! Será que é pedir muito?
      Já cansei dos teus joguinhos idiotas, das tua mentiras absurdas e das tuas promessas quebradas. "Prometo melhorar, prometo te dar mais atenção, prometo isso, prometo aquilo...". Ah, pelo amor de Deus! Promete parar de fazer promessas, isso sim! Cansei de tudo. Parafraseando Emma Morley, eu te amo; eu te amo muito, mas só que agora eu não gosto mais de ti. É isso.
      Então, foda-se tudo! Cansei de chorar noites e mais noites, de perder o meu tempo pensando nos melhores conselhos pra te dar a respeito dos teus "relacionamentos", de ouvir falares o quanto fulana é 'gostosa', de agir com indiferença quando falas isso... CANSEI! És meu melhor amigo, mas tenho sido minha pior inimiga e tá na hora de pôr um fim nisso.
      Quero minha paz de volta, minha liberdade; quero me apaixonar de novo; quero amar e ser amada; quero que as pessoas, só ao me olhar saibam o quanto sou feliz; quero sorrir de novo - não aquele sorriso que esconde uma lágrima, mas o que ilumina um ambiente; quero me entregar a uma nova paixão sem receios; quero ter confiança em mim, no quanto sou especial, inteligente, bonita, carinhosa... Otimista demais? Quem sabe...  Mas é disso que estou precisando no momento, não importa quão ingênua eu esteja sendo.
      Sendo assim, eu te peço que me deixes. Não quero que te afastes ou que te esqueças de mim; só quero que pares de agir como se eu fosse um prêmio a ser (re)conquistado, fazendo uso das tuas mil e uma artimanhas e truques baratos - que eu costumava rir quando ganhavas uma garota com eles. Se sou tua melhor amiga, como dizes, tem pelo menos a consideração de levar em conta o que eu estou te pedindo. 
      O destino não nos pertence. Aquilo que foi feito pra dar certo, dará, não importa o tempo que leve para tal. Se for pra darmos certo, um dia acontecerá, da forma mais natural possível. Mas, por hora, eu só quero dar certo comigo mesma, me encontrar, achar meu caminho, acreditar em mim novamente. Me deixa ir, tá?! Quem sabe, um dia, eu ainda não volto pra ti...

domingo, 6 de maio de 2012

Leva e traz


       E mais uma vez eu me rendo às suas mãos no meu quadril, à sua boca no meu pescoço e às suas mentiras no meu ouvido. Não dá mais. Travei uma luta interna e percebi que eu era a única a perder com toda essa discussão em vão. Eu já sabia o que queria; eu já sabia onde isso ia terminar. Entretanto, tinha medo de admitir; era orgulhosa demais pra admitir...
      Mais aí vem você, com essa carinha linda, esse sorrisinho torto, esse cabelo desarrumado, que me deixa louca, e o meu orgulho, a minha dignidade, integridade e tudo mais que dizem por aí caíram por terra. E apesar de achar tudo isso errado, de achar que essa história já foi longe mais, quando estou nos seus braços, tudo isso desaparece. E isso basta.
    Até quando ficaremos nesse ‘leva e traz’? Quando eu acho que tomei minha decisão, colocando um ponto final nisso tudo, você aparece e bagunça toda a minha cabeça; sussurra no meu ouvido que estava com saudades, me olha daquele jeito – ai meu, Deus, só de pensar... –, segura a minha perna com aquela carinha cheia de malícia e eu me rendo. Meu corpo se entrega sem nem pensar. E eu acabo presa nessa odisseia; na minha odisseia.
     Eu não entendo como você pode ser um grande idiota, fazer um monte de besteira e mesmo assim eu só querer estar com você. Isso faz de MIM uma grande idiota. Mas, o amor faz isso com a gente, nos deixa cegos, surdos e mudos. Eu queria poder controlar a situação, mandar na minha mente e no meu coração, porém eu o amo; não há como negar.
     Entretanto, quando eu volto atrás, depois de insistentemente discutir com a minha consciência, me apareces com uma “nova” (traduzindo: uma nova merda!). Qual é a tua, hein, garoto?! Me responde, que isso está me deixando doida! Eu brigo comigo mesma – e com as minhas amigas – , te defendo, acreditando que podes mudar, ser diferente e a única coisa que fazes é provar mais uma vez que eu estou errada.
       Tudo o que eu queria é me sentir amada, ser só tua, e que fosses só meu também; o MEU neném. É pedir muito? Inevitavelmente, eu sei que é. Sei que não posso pedir nada disso, que está tudo errado e que essa história já passou dos limites (falando em limites, até o nosso entre amizade e ‘a gente’ já está se perdendo)...
       Mas, eu te peço uma coisa, e isso não podes me negar: quando me tiveres nos teus braços e olhares nos meus olhos, não me ilude, não me diz coisas falsas, só pra me agradar, porque vai doer... E vai doer muito.
Não sei quantas vezes mais teremos nossas idas e vindas, e até quando isso – essa nossa história, esse nosso casinho –, vai durar, mas, quero que saibas que, apesar de tudo, estou feliz;  tens me feito feliz como nunca ninguém o fez e como nunca ninguém entenderá. E pra terminar, te peço uma última coisa: não faz eu me arrepender desse nosso ‘leva e traz’.


sexta-feira, 9 de março de 2012

The (fuckin') End

      Estou aqui, taquicárdica, sem ar, tremendo, sentada ao teu lado, no banco da frente do carro, prestes a terminar contigo. A noite anterior foi longa e percebeste que as coisas não estavam bem. Pelo menos eu gostaria de acreditar que tivesses percebido. Talvez não soubesses a dimensão do que me angustiava ou do que se tratava, mas eu tenho certeza que sabias que havia algo de errado. Teus olhares preocupados, tuas caras e bocas me davam essa certeza. E é isso que me conforta; saber que nada foi em vão, que existia algo verdadeiro entre nós.
      Passei a noite inteira - fora as incontáveis semanas anteriores - pensando na decisão que tinha tomado, em como te contar, em como me fazer acreditar que essa era a coisa certa a se fazer. Te confesso que ainda tenho minhas dúvidas. Mas, tinha que fazer algo. Essa inércia estava me matando. Pode ser que me arrependa depois, mas fiz, o que pra mim, era o certo a ser feito agora. Só o tempo vai responder todas as minhas perguntas - que são muitas, por sinal.
      Meu estômago está embrulhando. E parece que quanto mais andamos, mais longe estamos da minha casa. Isso está ficando cada vez mais difícil. E pára de me olhar com essa cara! Não dificulta mais as coisas. Deves estar te perguntando o que aconteceu, porque estou agindo como uma estranha. Mas, não te passa pela cabeça que a nossa relação, o nosso "casinho", sejam os culpados disso tudo. É, meu amigo, você mexe demais comigo, e não poder gritar isso pra ti e pro mundo está me deixando louca.
      E é justamente esse o motivo do término, se é que queres saber; não poder te ter do jeito que eu gostaria foi o que me fez tomar essa decisão - talvez a mais difícil da minha vida, até o momento. Te ter em curtos intervalos de tempo, "sempre que desse", já não estavam mais funcionando pra mim.
      E chegou a "hora da verdade", a hora em que tudo vai se esclarecer e vou, por fim poder seguir em frente. A curtos passos, um dia de cada vez, mas vou. Esse era o plano, entretanto, ilusão minha de que eu conseguiria falar tudo isso. 
    Que droga! Na minha cabeça essa conversa parecia muito mais fácil. Não lembrava, porém, que teria de enfrentar teus olhares profundos, que me hipnotizam, sentir o teu cheiro tão perto de mim. Que droga! Não consegui dizer nada do que queria! Foi um fim ridículo, sem explicções, sem esclarecimentos, sem lágrimas. Acabou. Saiu tudo errado, mas sinto que fiz a coisa certa, apesar de tudo. Está doendo. Doendo muito. Mas, o tempo está a meu favor, e nada como um dia de cada vez para eu me recompor. Vai ficar tudo bem. Só é uma pena que nunca vais saber de nada disso...


segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Tenho medo



Tenho medo de ser só mais uma, enquanto você tem sido o único pra mim.
Tenho medo de me entregar de corpo e alma e descobrir que tudo não passava de uma ilusão.
Tenho medo de ser sincera demais, abrir meu coração, falar tudo o que tenho vontade e você não se importar com nada do que eu digo.
Tenho medo de o meu abraço não significar nada pra você, enquanto estar nos seus braços é tudo o que preciso.
Tenho medo de ouvir um “Eu te amo” da boca pra fora, quando o que eu mais quero é ser amada.
Tenho medo de cansares das minhas piadas sem graça, da minha voz e do meu sorriso.
Tenho medo de acordares um dia e perceber o quanto eu sou chata e irritante.
Tenho medo de estar entendendo as coisas errado.
Tenho medo de não ser quem você esperava; de você se arrepender da graça.
Tenho medo de ser deixada por alguém melhor; um novo amor ou uma paixão antiga.
Tenho medo de não ser boa o suficiente.
Tenho medo de me doar por inteiro e sair machucada dessa história.
Tenho medo de te perder para a rotina, para o tempo, para sempre.
Tenho medo de ser a única a estar se sentindo uma idiota, boba e apaixonada.
Tenho medo de ser esquecida, apagada e de não significar nada.
Tenho medo de te dar todo o meu amor e não ser correspondida.
Tenho medo de sentir saudade e não mais poder matá-la.
Tenho medo...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Hipnose



Eu não te culpo. Sabes como ganhar uma mulher. Conseguiste me ganhar. Não tive tempo nem de pensar; já estava em teus braços, te olhando nos olhos, hipnotizada, sem conseguir me mexer, sem conseguir dizer não. E me beijaste. E me abraçaste como se soubesses do que eu precisava. Senti-me protegida e naquele momento soube que não poderia mais ficar sem aquilo.
Por que fizeste isso comigo, apareceste na minha vida e a deixaste de cabeça para baixo? Quem te deu esse direito? Eu que sempre vivi dentro do meu mundo, protegida de tudo que eu julgava me fazer mal, me vi completamente vulnerável com a tua presença. E isso me assustava. Retificando, isso ainda me assusta. E por mais que eu estivesse com medo, não conseguia resistir. Era muito mais forte que eu.
Quando começaste a falar, mil coisas passaram pela minha cabeça. As palavras fugiram da minha boca e eu fiquei imóvel. Só consigo me lembrar de uma coisa: da vontade que eu tava de te mandar ficar calado e de te beijar, porque já tinhas me ganhado. Me ganhaste com simples, porém sinceras palavras: “...eu tô muito nervoso; eu sou um idiota...”. Te ver falando todas aquelas coisas me impressionou. Não imagino de onde tenhas tirado tamanha coragem para abrir teu coração daquele jeito. Vi-me, então, sendo preenchida por um sentimento que eu não imaginava que pudesse crescer tão rápido.
E mal tínhamos nos beijado, pela primeira vez, sob aquela noite de lua cheia e eu já tinha a necessidade de te ter ao meu lado. Ainda não consigo entender o que fizeste comigo. Já tentei explicar, reexplicar, decifrar... e não obtenho a resposta. Me apaixonei por ti, pela pessoa que és e pelo que me tornei ao teu lado. Vou desistir de tentar entender e simplesmente aproveitar cada segundo que eu passar contigo, porque é aí que muitos erram, com essa necessidade insaciável do ser humano de entender todas as coisas e acabam por esquecer de vivenciar cada momento como se fosse único.
O que eu posso fazer, então, é agradecer por todos os momentos felizes que tens me proporcionado; pelos olhares, que me hipnotizam; pelas mãos na minha cintura, que me fazem sentir amada; pelos beijos, que me deixam sem fôlego; pelo melhor abraço do mundo; pelas risadas, as quais me lembram que, antes de mais nada, és meu amigo; pelos carinhos; pela sinceridade; e, sobretudo, por gostar de mim como eu sou, “fresquinha”, “princesinha”... Mas eu sou a TUA “princesinha”.
           Espero poder continuar escrevendo essa nossa história a quatro mãos, como disseste e continuar me surpreendendo a cada dia com essa nossa sintonia, que chega a assustar, mas que mostra que estamos no caminho certo e que tudo isso é real. Te amo, meu amor. Sem mais.



segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Já chega...



Já chega, tá bom? E não é por nada, não. Eu só cansei de chorar durante horas antes de dormir por tua causa. Não me entenda mal... Não é que eu não te queira mais. É justamente o contrário. É que nesses últimos tempos eu ando te querendo na medida do impossível.
Sabe aquela história de “o problema é comigo e não contigo”? Pois é, é exatamente isso. É que eu não consigo mais me contentar em ser a tua segunda opção de relacionamento, ser a tua fuga, o teu refúgio. Eu quero mais, bem mais que isso.
Tá, eu sei. Sei que eu quebrei todas as regras, todas as promessas, que eu baguncei tudo. Eu prometi, sim, que essa nossa história seria fácil, que a gente não colocaria sentimentos no meio, que nos inspiraríamos naqueles filmes de amizades coloridas, de amigos com benefícios. Mas podias, pelo menos, ter tirado alguma lição deles. Consegues pensar em algum desses filmes que termine sem alguém apaixonado? É, nem eu. E eu, assim como esses personagens, caí na mesma armadilha. Quebrei todos os acordos, meti os pés pelas mãos, virei dependente de ti.
Eu só me pergunto se não sentes nada, nadinha mesmo. Se conseguiste separar perfeitamente a nossa amizade de todo o resto. Pergunto-me se tudo o que vivi contigo, os olhares que eu achava que eram só meus, os beijos carinhosos, tua mão procurando a minha, tua preocupação comigo, os segundos que a gente ficava de rostinho junto só pra sentir um ao outro, se não colocaste sentimento em nadinha disso. Porque, garoto, me enganaste direitinho se a resposta for não.
Então me diz, me diz logo se sentes alguma coisa. Porque eu não agüento mais essa dúvida, essa pergunta que não sai da minha cabeça um só segundo. Não que isso vá me fazer ficar, não dá mais. Já passou da nossa hora. Já cansei de ficar esperando teres um tempo pra mim. Eu só queria mesmo que fosses sincero comigo. Que segurasses na minha mão e dissesses que não sou só eu que tenho medo de seguir em frente, de te deixar pra trás.
Mas deixa pra lá. Eu sei que não vais fazer isso. Sei por que te conheço inteiramente, de pratos prediletos a amores e desejos pro futuro. Sei o que farias na maioria das situações. Então, só dessa vez, me surpreende, tá? Não dificulta, me deixa ir embora sem prolongar mais ainda essa história. Machucada eu já estou. É que eu só queria mesmo sair disso tudo ainda acreditando em mim mesma. Só me faz um favor. Me deixa seguir em frente, mas não vai embora da minha vida. Apesar de tudo, eu ainda preciso, e muito, de ti.

Texto por uma grande amiga que precisava desabafar

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Promessas de Ano Novo

      
      Ano Novo, vida nova, novos amores, sonhos renovados, novas promessas, novos erros, novas decepções e velhos hábitos de prometer que tudo será diferente.
       Se pararmos para pensar, a mudança de ano nada mais é do que um marco, uma data no calendário que simboliza o fim de um período e início de outro. Na prática, contar os anos não passa de uma necessidade do ser humano de ter o controle de tudo, inclusive do tempo.
     Assim, seguindo essa lógica de que o homem cria certas coisas, certos marcos, para se sentir vivo, para depositar suas esperanças quando tudo vai mal, criamos o costume de comemorar a entrada do novo ano fazendo promessas, pedidos, que acabamos por esquecer ao longo do ano seguinte. Qual o sentido disso tudo? É a tal necessidade de acreditar que tudo vai melhorar com palavras e promessas sopradas ao vento? Doce ilusão, que fazemos questão de manter por anos a fio...
     Criemos um novo hábito. Ao invés de prometermos amar mais, estudar mais, trabalhar mais, ser mais feliz, amemos, estudemos, trabalhemos, sejamos felizes! Temos realmente que esperar um ano inteiro para PROMETER o que deveriamos fazer todos os dias? E mais importante que isso: não devemos nos preocupar tanto em acertar sempre. No lugar de "Esse ano eu vou errar menos, me concentrar mais nos meus objetivos...", usemos "Nesse novo ano eu vou viver a minha vida, vou errar e acertar, mas vou ser feliz..."
     Costumamos também nos arrepender de tudo aquilo que não saiu de acordo com os nossos planos e acabamos por nos martirizar, como se a culpa de as coisas perderem o rumo fosse única e exclusivamente nossa. Ao contrário, devemos agradecer por conseguir passar por tudo isso tirando um grande aprendizado e nos fortalecendo a cada queda. A vida é muito curta para lamentarmos cada falha.
    Que 2012, então, seja um ano diferente. Não de promessas, mas de atos concretos, de sonhos realizados, de amores reais, paixões platônicas, amizades verdadeiras, irmandade, e sobretudo de erros, angústias, medos, insegurança. Afinal, viver é isso. E sonhar! Sonhemos pra valer! Lutemos por nossos sonhos; não façamos deles só mais uma "promessa" de Ano Novo.
     Não precisamos de "vida nova", de "novos sonhos", "novos amores"... Só necessitamos colocar em prática tudo o que prometemos naquele minuto da virada de ano. Não como uma meta a ser alcançada, mas como uma forma de viver. Assim, no ano seguinte, promessas já não serão necessárias, e sem nos dar conta, teremos conseguido grande parte do que almejávamos. Com um adicional: estando felizes.
     Entretanto, como não é fácil abandonar um hábito e instituir outro tão rapidamente, na virada de ano, façamos as nossas costumeiras promessas. Porém, ao invés de prometer o que é mais difícil e que facilmente será esquecido no próximo ano, comecemos pelo mais fácil, prometendo ser feliz, amar e ser amado, sorrir, ser amigo... Se conseguirmos cumprir pelo menos metade disso, o nosso ano já terá valido à pena.
      

sábado, 10 de dezembro de 2011

O dia em que me ganhaste

      Me perdi no teu olhar. Me perdi no teu sorriso. Maldita hora em que apareceste na minha vida. Maldita hora em que o meu olhar encontrou o teu e retribuíste com um meio sorriso. O sorriso torto mais lindo do mundo. E eu já te odiava por isso. Te odiava por me ganhar com essa cena ridícula em que palavras não eram pronunciadas e nem pensadas. 
      Minha mente era um completo vazio, como se a tivesses invadido e roubado todos os meus pensamentos e angústias. E me olhavas profundamente, como um aventureiro pisando em terra nova pela primeira vez. Percorrias meu corpo e minha alma sem ao menos me tocar. Senti-me despida na frente de um completo estranho e aquele calor estranho começou a tomar conta do meu rosto; eu estava vermelha e sem graça. E te odiava por isso.
      Eu, estática, imóvel, sem conseguir mexer um músculo do meu corpo, e parecias te divertir com isso. Fizeste de mim o teu palco e deste o teu show. Não me prometestes mundos, palácios, estrelas, sonhos... Não prometestes me amar até a eternidade. Só prometeste uma coisa: me arrependeria de não me entregar a ti. Como eras audacioso... E como tinhas razão... 
   De repente, meus pensamentos foram devolvidos ao seu lugar de origem. Me vi completamente perdida e confusa no meio de frases, palavras soltas e sem sentido... Quando abri os olhos, acariciavas o meu cabelo e pude sentir teus lábios tremendo indo de encontro aos meus com tamanha força e necessidade, que eu parecia a droga em que estavas de abstinência. 
      Eu não conseguia explicar como as coisas chegaram a esse ponto. A última coisa de que podia me lembrar era do quanto eu te achava um idiota, metido a badboyzinho, com aquele cabelo desgrenhado. Lindo, por sinal... Me hipnotizaste, me transformaste no teu brinquedo particular e eu me entreguei somente a ti. E tudo o que queria naquele momento é que tivesses me prometido o céu, as estrelas, o mundo, como um bobo apaixonado. Mas a única coisa que me prometeste foi de que "aquilo", o nosso "casinho" ficaria somente entre nós.
       E partiste, desapareceste, quando tudo o que eu queria era que ficasses. Levaste contigo um pedaço meu e também deixaste em mim a tua marca, um buraco no meio do meu peito, que teima em não cicatrizar. Me vi perdida novamente, e cada cena, cada acontecimento percorriam rapidamente a minha mente e ao final de tudo isso podia te ver, com aquele sorriso torto que me consquistou de cara, pedindo que eu fosse tua.
       As lágrimas têm sido minhas companheiras de momentos como esse, em que tento  juntar as peças do quebra-cabeça da nossa história. Mas, eu não posso reivindicar nada... Sempre foste sincero comigo. Nunca me prometeste o que não podias me dar. E até mesmo quando eu não queria, tinhas razão. Apesar de tudo, de toda a dor, eu me arrependeria de não me entregar a ti.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O amigo

      
        Eu nunca achei que as coisas terminariam do jeito que terminou. Eu nunca nem imaginei que começariam do jeito que começou. Mas, começou... E uma coisa foi levando à outra e quando me dei conta, já era tarde demais. Não havia um caminho de volta. Me vi perdida no meio de beijos, abraços e embaraços. Não havia como fugir.
      Toda vez que o via, com aquela carinha cínica, cheia de malícia, pedindo o meu corpo junto ao seu, todas as minhas células lutavam, travavam uma luta interminável; era o meu corpo querendo o que a minha mente incansavelmente proibia. E se alguém ainda tem dúvida do rumo que as coisas tomavam, eu acabava caindo no mesmo erro sempre, e me entregava de corpo e alma àquele amor, àquela paixão proibida.
       Ele era meu amigo. Meu melhor amigo. Mas, a gente não beija a boca do nosso melhor amigo... O que era aquilo, então? E quando menos esperava, me pegava distraída, longe do mundo e das conversas ao redor, pensando no meu suposto amigo, em quanto as suas mãos na minha cintura faziam falta; em quanto aquele cabelo desarrumado fazia falta aos meus olhos. 
      Me vi em uma estrada completamente desconhecida. Eu que sempre fui tão segura das minhas ações e pensamentos, me encontrei em um campo de batalha, mas precisamente no campo inimigo. Estava caminhando por terras nunca antes tocadas e podia sentir o vento soprando no meu rosto, sem rumo, da mesma forma que eu. Sabia que podia me machucar a qualquer momento. E eu estava com medo. Não era acostumada a não conseguir controlar os meus pensamentos. Mas tenho que admitir, foi uma sensação boa a de não saber qual o próximo passo. 
      E resolvi, então, me deixar levar, vivenciar uma nova experiência sem tentar definir o que aquilo significava pra mim. Minha consciência não cessava em gritar no meu ouvido que aquilo tudo estava errado e que eu era, afinal, uma grande idiota. E aquilo me doía, me corroía. Eu só queria poder gritar pra todo mundo o quanto ele me fazia bem e o quanto eu precisava dele. Mas eu não podia. A minha integridade não permitia.
      Cada vez mais, me via dependente daquele amor. Passar um dia sem sentir as suas mãos, a sua boca, o seu cheiro parecia um inferno. E o que pra mim, a priori, parecia um "fica" qualquer, um mero passatempo, já não o era há tempos. Talvez já não fosse desde o princípio e, talvez, eu e meu orgulho bobo é que não quiséssemos admitir.
      Entretanto, como nada é para sempre, ainda mais em se tratando de uma história complicada, sem pé nem cabeça como a nossa, uma hora ia acabar. Nós dois sabíamos disso. Chega um determinado momento em que temos que crescer e amadurecer. Os anos começam a pesar e não dá pra ficar "fazendo besteiras" por aí despreocupadamente. Minha consciência já não gritava mais... Ela urrava! Eu já não mais me podia fazer de surda.
      E assim, terminou. Do mesmo jeito que começou: sem explicações, sem entendimentos, apenas com palavras balbuciadas sem sentido. Naquele dia, senti um peso enorme sendo retirado das minhas costas. Mas foi naquele dia também que senti meu coração sendo arrancado brutalmente do meu peito. Senti uma dor insuportável, indescritível, e as lágrimas (leia-se cachoeiras) que vieram a seguir, só fizeram provar que aquilo tudo era real e que eu nunca poderia chamá-lo de MEU. A não ser de "meu amigo".
      E aqui estou eu, remexando no meu passado, trazendo dores e sofrimentos à tona, os quais, entretanto, se fazem necessários. Eu tinha essa necessidade de relembrar tudo, desde o súbito e inesperado começo, para poder finalmente conseguir colocar um ponto final nessa história e seguir em frente. 
      Se um dia me perguntassem se me arrependo de tudo o que fiz, eu diria que não. Apesar do início e fim incertos e errados, eu tomei as minhas decisões e escolhi, pela primeira vez, pensar um pouco em mim e não ter o controle da situação, como estava acostumada a ter. E se não deu certo, bola pra frente. De uma coisa eu tenho certeza: eu fui feliz. Uma eternidade ou um segundo. E posso dizer que fui feliz... Com o meu melhor amigo.